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Foto-assemblage
Tipo de projeto
foto-assemblage
Data
2011 - 2024
Local
Diversos
Foto-assemblage
Acredito ser num retorno às metalinguagens para onde devemos recorrer em momentos de incerteza. Um retorno às estruturas, aos arquétipos, ao originário, para a partir de então entender os processos.
A ideia de duração, estruturada por Bergson, seria a completude do mundo como processo. Mas nós percebemos o mundo por resumos, por fragmentos, limitados pelas nossas capacidades físicas. _ O tempo é absolutamente contínuo, como nossa consciência. Mas o fluxo de nossa consciência não obedece a padrões organizados aplicados à nossa vida prática. Compartimentamos o tempo (e a consciência) para atender necessidades em lidar com conhecimentos e com as demandas sociais. “O conhecimento como entendemos não está talhado para esse tipo de continuidade.” Segundo Bergson, para compreendermos de maneira efetiva os devires da realidade devemos apelar para a intuição, pois essa sim se dá num fluxo contínuo, tal qual o tempo e a consciência. A intuição é uma apreensão direta das coisas. Também seria um tipo de conhecimento, mas não o objetivo e sim o empírico. Por certo, através da intuição acontece a assimilação ideal de uma obra de arte.
O conceito de intermitência do tempo como modo de perceber o movimento, apregoado como uma falsa sensação é um fato que veio a ser comprovado pelo cinema. É o cinema, materialmente, a prova de que dessa maneira percebemos o movimento. Ao assistirmos aos seus dispositivos acionados (quando projetados os filmes), enxergamos o movimento. Ao segurarmos na película não; mas sim a constatamos apenas como sequências de fotografias.
O movimento, na verdade é contínuo e imanente, tal qual é o tempo e a consciência, e impossível de ser reproduzido. Mas nas sequências de imagens que criamos, contudo, sempre haverá passagens ocultas. Entre uma imagem e outra sempre haverá um lugar, talvez propício para alojarem-se subjetividades ou subliminaridades.
Radicalizando esses mecanismos, é passível a foto-assemblage como recortes de tempos e espaços dilatados, que nos chegam em blocos. Que nos permitem abarcar tal duração através de sínteses.
Na foto-assemblage, o que proponho seria a supressão ao máximo dessas sequências. Chegaríamos ao mínimo necessário (ou possível) para descrever segmentos de tempo e de espaço e, portanto, descrever um movimento ou uma ação.
Cogito, contudo, que, pelos mesmos métodos falseados, mas que intuem o movimento, tal qual o cinema o faz, a foto-assemblage nos forneceria a compreensão de movimentos através do sensível e não dos olhos. Mas nos forneceria uma maior consciência acerca do tempo contínuo. Isso é possível exatamente por estarem as imagens em foto-assemblage em distinta escala de tempo, que seria o tempo cristalizado da fotografia.
Essa medida de tempo da fotografia é aquela que transforma os momentos, em eternos. Engana-se quem pensa na fotografia como elemento que retira do tempo o que é fotografado e o joga num passado eterno. Pelo contrário, ela nos traz o inacabável daquilo que entendemos em nosso mundo/tempo como presencialidade.
Complementando as considerações introdutórias, cabem outras observações acerca do que foi desenvolvido por Bachelard em sua obra “Poética do Espaço”. _ Teríamos que, numa definição ampliada que nos fornece o Professor Nichan Dichtchekenian, a “poética do espaço” para o filósofo é a “instauração do espaço pelo modo poético”. O espaço para Bachelard “é aquilo que poeticamente nós vivemos na nossa presença no mundo”; que tem por natureza “haver sempre uma distância entre o eu e...”. O filósofo trabalha isso partindo desse sentido. O poeta faz essa reflexão vivendo das imagens, que Bachelard chama de “imagens poéticas”. Na imaginação poética, o passado cultural não conta, deve-se esquecer o seu saber. “Se há uma filosofia da poesia ela deve nascer e renascer por um verso dominante, na adesão total a uma imagem isolada muito precisamente no próprio êxtase da novidade da imagem.” – Resumo: jogar fora toda a bagagem, pois ela (a imagem) pede um contato ingênuo.
Pelas imagens em foto-assemblage se construírem a partir de duas fotografias, em tessituras, sugestiono suas compreensões como segmentos de percursos, onde temos seus eventuais observadores impelidos a buscar caminhos que relacionem essas fotografias que usei, criando vínculos a partir de seus próprios afetos que garantam tal continuísmo. Essa conduta contemplativa, por certo, pleiteia a intuição sugerida por Bergson e a ingenuidade de um primeiro olhar proposta por Bachelard.



















































